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  • Foto do escritorNishi

Por que a Jersey City Marathon?

Atualizado: 1 de mai.

Fui correr a Maratona de Jersey, do lado de Manhattan. Mas por que fiz isso?

Quando se fala em correr maratona no exterior, quase todo mundo fala em majors (que são, para os desavisados, Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova Iorque) e, talvez com um pouquinho de menos frequência, em maratonas em grandes cidades turísticas, como Paris, Amsterdam, Barcelona, Roma, Disney ou Miami, por exemplo. Ok, tem Buenos Aires também, mas... Buenos Aires não é a maior maratona brasileira?


Enfim, o que define a escolha de uma maratona no exterior para a maior parte dos brasileiros é o fato da maratona ser famosa com o combo maraturismo. E não tem nada de errado nisso, lógico. Eu já corri algumas dessas provas, não estou criticando o comportamento. Mas há um certo estranhamento quando respondo que escolhi correr maratona na Estônia, Bilbao ou Nova Jersey, que é o objeto deste texto. Não que não sejam lugares onde não se possa fazer turismo, é só que não são escolhas muito... óbvias, né?

Talvez falte um pouco de charme, talvez exista aquele negócio de ser uma maratona que "ninguém" faz, o fato é que o típico maratonista brasileiro que vai para o exterior não quer só correr uma maratona, mas ele também quer correr uma maratona que as outras pessoas reconheçam e queiram correr ou já tenham corrido. Afinal, não se trata só de correr, mas também de poder conversar sobre o correr, trocar experiências similares.


Só que maratona é maratona em qualquer lugar do mundo, os 42.195 metros são medidos dessa forma (espera-se) no Alasca e na Russia, no Casaquistão e em Manhattan, em São Paulo ou no Everest. A identificação fundamental é essa distância e o desafio de percorrê-la.

Lógico que as provas podem ser mais ou menos organizadas, mais ou menos fáceis em relação ao percurso, clima ou altimetria e também existem outros fatores como período do ano, acessibilidade para chegar ao local da prova, valores envolvidos e outros motivos outros que sejam importantes mas não façam parte direta da escolha da prova no sentido esportivo. O processo de escolha de uma prova tem muitas variáveis e elas não passam só pelo fato de a prova ser famosa ou desse fator social acima.


E à medida em que o maratonista passa a ser mais experiente e mais rodado, é natural que optem por correr em outros lugares do mundo além daqueles mais batidos. Inclusive amigos como o Tadeu Guglielmo, que já correu nos 7 continentes e nunca repete uma maratona, ou como o Nilson Lima, que está à caça das 400 maratonas, têm que procurar essas provas desconhecidas do grande público, diferentes ou exóticas na visão geral, porque eles têm objetivos muito específicos, que só podem ser alcançados se eles também vierem a correr essas provas menores.

 

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Não sou nem um nem outro. Não sou o brasileiro que só corre provas gigantes, e estou muito longe de ser um desses amigos fantásticos acima, referências no mundo das corridas, não tendo um motivo muito peculiar. Eu só gosto de correr maratonas e se for boa, melhor ainda. E por que correr no exterior? Porque sim, fazia tempo que não corria fora do Brasil e a data era interessante para o meu ciclo, com poucas provas no Brasil e muitas no exterior. E por que correr em Jersey City? Porque sim, já que havia um feriado brasileiro no meio, o lugar é fácil de se chegar (tem muita opção de vôo para lá), a prova seria muito plana, a infraestrutura hoteleira é boa e me possibilitaria conseguir me preparar, correr e me manter trabalhando nos dias úteis que passaria aqui.


E também porque eu tenho amigos por aqui. Meus padrinhos de casamento moram a 30 minutos de carro daqui. E para quem pensa em turismo (eu não sou diferente), Jersey City fica a uma travessia de rio de distância de Manhattan, oras!

Sendo bem sincero, nesses dias que passei aqui, meu único contato com a grande Manhattan foi uma baldeação de metrô para ir ao Brooklyn ver um jogo da NBA. Na maior parte do tempo eu resolvi dar uma voltinha por Newark, onde fica o hotel, Madison, onde moram meus amigos ou no hotel mesmo, onde tinha trabalho me esperando. Certamente haverá quem considere essa viagem um desperdício por conta disso, mas o objetivo primário era correr uma boa maratona no exterior. Repito, nada contra quem faz turismo, eu também faço muito, só que ir a Manhattan não estava entre minhas prioridades no momento.


A prioridade era a prova e o objetivo foi totalmente alcançado. Temperatura na casa dos 14 graus, com uma chuva leve mas constante, o que baixa um pouco a sensação térmica e com pouco vento, ou seja, agradável para correr, mas não perfeito por causa das poças e dos óculos molhados. Não passei frio nem calor. Muito plana, poucas subidas e, quando existiam, curtas e pouco inclinadas. O acesso à prova era muito fácil via trem PATH (que liga Nova Jersey a Nova Iorque), com uma estação a 200m da arena. Havia também a opção da meia maratona e a largada foi pontual, com a ilustre presença de Joan Benoit Samuelson, a lendária vencedora da primeira maratona olímpica em LA-1984. Brasileiros na prova? Provavelmente alguns que moram aqui, já que há muitos brasileiros morando na região, inclusive vi um canela fina da assessoria do André Savazoni, correndo à frente do pelotão das 3h10.


E por falar em pelotão, fica o registro e o agradecimento aos marcadores de ritmo, uma coisa que ajuda muito os corredores em geral, especialmente se o trabalho for bem-feito, como foi para mim nessa prova. Saí tendo o pelotão das 4h00 como referência, depois passei a usar o das 3h50 para essa finalidade e foi ótimo. Mesmo que tenha corrido apenas uns 10 km com eles, a referência de onde estavam me ajudou a acertar meu próprio ritmo de prova.

Para quem quer correr, uma prova pequena e simpática, com uma logística excelente. Fiquei uns 5 minutos na fila para usar um banheiro químico antes da prova. Fui para a baia de largada faltando 5 minutos, sem aquelas aglomerações monstruosas que demandam horas de preparação. Festa nas ruas? Um pouquinho, bem longe do que se vê nas majors, mas mais gente o que se vê nas provas brasileiras (e considere que estava meio frio e chovendo). Hidratação correta, banheiros químicos nesses pontos (não usei dessa vez, mas sempre observo, por ser cliente preferencial), percurso com pontos legais (passamos ao lado da estátua da Liberdade e em bairros residenciais bonitinhos) e outros meio feinhos (algumas ruas perto de portos, estacionamentos de caminhões e containeres). Tinha cerveja no final? Não, infelizmente não encontrei, mas eu tinha amigos aqui, lembra? Com a recomendação fundamental de me providenciar a hidratação adequada.


Enfim, tudo muito tranquilo para o que eu queria, que era correr. E isso eu fiz, melhor até do que esperava. Por isso a Jersey City Marathon!

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