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Os tênis de corrida chineses vem aí!

Se os chineses já dominam as novas tecnologias para eletrônicos, o que os impediria de fazer o mesmo com os tênis super-top de linha já que fabricam a grande maioria deles?

Li-ning Feidian 3 Elite, super tênis chinês. A marca teve um faturamento de US$ 3,6 bilhões em 2022

Faz uns três ou quatro anos em que eu assisti a uma reportagem da BBC sobre a mudança no panorama de equipamentos eletrônicos na China, principalmente, em Shenzen, cidade considerada o Vale do Silício chinês, devido à presença desde pequenos fabricantes de eletrônicos e softwares à grandes empresas de tecnologia, como a DJI, Huawei, Tencent entre outras.

Na época, o repórter dizia que estava acontecendo uma grande mudança por lá. Antigamente, as empresas ocidentais desenvolviam uma nova tecnologia, mostravam aos chineses e eles fabricavam os produtos com a tal nova tecnologia. A mudança a que ele se referia, é que naquele momento, em que a reportagem foi feita, eram os chineses que estavam apresentando novas tecnologias às empresas ocidentais e essas pedindo para que as incluísse em seus novos produtos, ou seja, eram eles quem estavam ditando as novas tendências e padrões a serem adotados pela indústria.

 

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Já é sabido que a grande maioria dos eletrônicos que usamos tem algo chinês - ou foi fabricado lá ou tem componentes chineses. Já se foi aquela época do "Xing ling". Na verdade, os "Xing ling", ou eletrônicos de má qualidade ainda existem, claro, mas a China tem dado um banho no ocidente em termos de qualidade de eletrônicos. As minhas câmeras da Insta 360, que estão destronando a GoPro, são chinesas. Meu drone é chinês, e da melhor marca de drones do mercado, a DJI.

Será que vamos ver os tênis chineses ameaçando as marcas de tênis esportivos ocidentais também?

Todos os tênis de alta performance, ou super-tênis, são fabricados na China. Então é claro, que pela lógica, não podemos nos surpreender se as marcas chinesas começarem a mostrar as garras em provas antes dominadas por Nike, Adidas e Asics.

Mas o caso é que isso já começou a acontecer. Na Maratona de Sevilha, em fevereiro, o terceiro colocado usava um protótipo da Li-Ning, a maior marca esportiva da China. A terceira colocada usava um Xtep 160X 3.0, marca que eu já usei e fiquei absolutamente surpreso com a qualidade (veja aqui).



Em abril, na Maratona de Paris, a vencedora usou um Xtep 160x 2.0, o mesmo modelo= usado pelo terceiro colocado no masculino.


Já na Maratona de Copenhagen, que rolou na semana passada, os três primeiros colocados no masculino estavam usando o Feidian 3 Ultra, da Li-Ning. A vencedora também usava um Li-Ning, o Feidian 2.0 Elite.

Também não podemos esquecer do embróglio que rolou com o Kelvin Kiptum, que tinha feito um acordo com a Qiaodan, para ser o menino propaganda da marca e correria a maratona londrina (que ele venceu) com o Feiying PB 3.0, mas teve que correr com o Vaporfly por ter um pré-contrato com a marca americana.


Tecnologia, os chineses tem e grana também não falta, pois a Li-Ning fechou 2022 com uma faturamento US$ 3,6 bilhões e a Xtep com US$ 1,8 bilhões. Não é como o faturamento das grandes marcas mundiais como a Adidas, que faturou 22 bilhões de euros ou a Nike, a líder, com US$ 46 bilhões de faturamento no ano passado, mas é um valor substancial se você levar em consideração que estamos falando de empresas que vendem a grande maioria de seus produtos apenas no mercado chinês.

 

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A questão de ver os tênis de marca chinesas nos pés de africanos em provas pelo mundo pode ter dois significados: O primeiro, seria a validação da qualidade dos tênis junto ao próprio mercado consumidor chinês, que veria esse posicionamento como um atestado de que as marcas nacionais seriam tão boas quanto as marcas que dominam o mercado internacional.

Já o segundo, poderia ser visto como o início de um movimento de saída da "casinha" das marcas para fora da China. É claro que isso também significaria que elas precisariam de parceiros para a distribuição e venda dos modelos mundo afora e sabemos que isso não é muito simples nem barato. Mas, como já falamos, a Li-Ning tem um faturamento de US$ 3,6 bilhões e isso só contempla o mercado chinês. Imagine onde eles conseguiriam chegar caso eles conquistem outros mercados nos próximos anos?

Por enquanto só é possível comprar esses tênis pela Aliexpress, mas devido ao que temos visto por aí, é bom ficarmos atentos para ver as cenas dos próximos capítulos para ver se os tênis chineses estarão realmente vindo por aí.

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