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Maratona da Cidade do México: a maior da América Latina em número de concluíntes e de trapaceiros

A organização se pronunciou após diversas denúncias de corredores que cortaram caminho na prova mexicana, que contou com pouco mais de 32 mil inscritos.

A 40ª edição da maratona da capital do México aconteceu no dia 27 de agosto e teve até recorde do percurso com a vitória do boliviano Héctor Garibay em 2:08:23. A prova é maior de 42 km da América Latina em número de participantes e tem uma premiação sem concorrência - são nada menos que US$ 100 mil para os primeiros colocados no masculino e feminino.


No entanto, o destaque da prova agora é a quantidade de trapaceiros que teriam completado os 42 km. Cortar caminho na Maratona da Cidade do México para pegar medalha no final não é notícia nova - acontece todos os anos. Mas parece que a coisa ficou edêmica por lá, quando se estima que 11 mil dos corredores seriam "tramposos" ou trapaceiros, em espanhol.

Aparentemente, há muitos mexicanos que não se importam em cortar caminho e depois se vangloriar na mídias sociais de que completaram a prova exibindo a medalha.

Também sabemos que mídias sociais acabam estimulando esse tipo de comportamento, mas existem aqueles que usam as mesmas mídias sociais para exibir os trapaceiros.

E assim foi feito. Há duas páginas no Facebook que passaram a denunciar os "tramposos" Uma se chama Los Caza Tramposos Del Maratón e a outra é a Triatlón México. Veja algumas das postagens.


As denúncias chegaram aos grandes meios de comunicação do México, como em duas matérias exibidas no canal Azteca Notícias:


Foi só depois dessas denúncias que a organização da prova mexicana decidiu se pronunciar a respeito em nota em seu Instagram oficial (clique na imagem para abrir o post). Lá eles avisam que irão apurar as condutas dos corredores para desclassificar os "tramposos":

De acordo com o canal TV Azteca, a organização da prova irá fazer um "pente fino" nos tapetes de passagem, que são dispostos de 5 em 5 km para desclassificar os cortadores de caminho, que como já foi dito aqui, é estimado em 11 mil. Lembro vocês que a Maratona da Cidade do México é selo ouro da World Athletics e tem obrigação moral de fazer isso e de também fazem uma campanha de concientização nos corredores para a próxima edição e evitar novo vexame, pois é óbvio que a atitude de 30% dos corredores queima a imagem do mexicanos perante o mundo das corridas.


Só para constar, eu tenho um hábito que vem desde a Revista Contra-Relógio, que é de ir atrás no número de concluíntes das provas, pois isso pra mim é o que dá a real dimensão do tamanho do evento. No caso, a Maratona da Cidade do México contou com 23.408 concluíntes (os resultados estão aqui) e muitos dos denunciados nas mídias sociais estão com resultado zerado lá, principalmente aqueles que não largaram, ou seja, começaram a correr de outro lugar. Mas muitos daqueles que largaram e pularam pontos de checagem ainda constam dos resultados. Portanto, para saber o número real de concluíntes, tirando os trapaceiros, só depois que o pente fino for realizado.


Como disseram que a prova teria 30 mil inscritos e temos o número de pouco mais de 23 mil concluíntes, então, proporcionalmente, o número de "tramposos" pode ser algo em torno de 9 mil, o que não deixa de ser escandaloso.

Eu conversei com uma amiga mexicana, a Sonia, do perfil Soy Corredora e ela me disse que sim, há um hábito terrível entre os mexicanos de simplesmente correr apenas um pouco da prova, pegar transporte público, passar pela chegada e pegar medalha, assim como pessoas de grupos de corrida que usam a prova como treino de 20 ou 30 km, mas mesmo assim, se vangloriam do tempo que "fizeram' na prova. Ela também disse que há corredores que vendem as medalhas para outros fazerem o mesmo, ou seja, postar o feito nas mídias sociais.


Eu mesmo já disse que isso não é novidade pois lá, pois já tinha sido notícias quando a prova mexicana tinha feito as medalhas com letras do nome da cidade, uma para cada ano: "M", "E", "X", "I", "C" e "O". Isso também gerou uma onda enorme de tramposos que queriam completar a "mandala" com o nome da cidade.


Agora ficamos no aguardo no número final de corredores trapaceiros para saber o número real de pessoas que completaram a Maratona da Cidade do México, que mesmo com o desconto de 11 mil corredores (ou os 9 mil reais, na estimativa), permanecerá como a maior da América Latina, seja em número de concluíntes e de trapaceiros.

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