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Blogueiro? Jornalista? Blogueirista? Jornaleiro?

Tudo é jornalismo hoje, até mesmo o que não é exatamente jornalismo e não tem muita relação com imprensa.

Dizem que o jornalismo, como forma de divulgação de notícias, surgiu no Império Romano com a Acta Diurna, que era um registro oficial dos atos do governo. E a forma moderna em periódicos como jornais, surge ligada à criação da imprensa por Gutemberg, no século XIII, quando foi possível a edição massificada de um mesmo texto para ser distribuído à população.


Lógico que aqui estamos tratando da palavra escrita como meio de comunicação, já que a troca de informações entre os humanos surge muito antes disso, com a fala. E com a fala surge também uma das instituições mais perenes ligadas à humanidade: a fofoca!

Não demorou muito para a fofoca falada também ser institucionalizada na escrita. A bem da verdade, certamente muito do que era considerado jornalismo antigamente, na verdade derivava de fofocas ou era a própria fofoca.


Mas o tempo passa e hoje há conceitos mais claros do que é jornalismo mesmo, da busca pela informação fiel e real, da responsabilidade de quem publica. E isso é muito importante já que vivemos hoje em uma época em que qualquer pessoa consegue divulgar notícias em massa, na maior parte das vezes por meio de redes sociais, e se autointitular jornalista, mesmo não praticando o verdadeiro jornalismo e mesmo não se comprometendo totalmente com a verdade. Os problemas com fake news não passam de um reflexo direto disso.

 

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Mas as redes sociais e a internet vieram com tanta força e mudaram tanto a forma de divulgação de informações que até mesmo jornalistas "de verdade" passaram a utilizar esses meios, criando blogs onde poderiam praticar uma forma mais livre de comunicação. Muitas vezes a informação que o jornalista detinha e que ainda não era considerada uma notícia publicada, porque ainda não checada e apurada, passou a ser divulgada por meio de seus blogs pessoais, onde a eles também era possível adicionar uma pimentinha extra, um comentário irônico e por aí vai...


Virar blogueiro, e depois tuiteiro, youtuber, instagrammer, tiktoker ou influencer digital mesmo acabou sendo uma forma de o jornalista se libertar um pouco das amarras do jornalismo institucional e formal, assim como virou uma forma de ganhar dinheiro diretamente com isso, sem estar preso a uma editora, uma empresa de comunicação etc. Aliás, é fonte não só para o jornalista, como também para o aspirante a jornalista. Ou mesmo o simples fofoqueiro. Ou o vendedor de ideias, produtos ou serviços. E o conteúdo de todos está disponível a um singelo clique de distância, enquanto a imprensa formal tenta se sustentar com anúncios, assinaturas digitais, paywall e outras formas de ganhar uns trocados.


Enfim, o jornalista de ontem virou o jornaleiro de si mesmo. Ele tem que vender a sua própria divulgação. Assim como o não-jornalista, o blogueiro, o fofoqueiro e o vendedor. E como separar quem divulga informações reais e legítimas daquele que se vale dessa alcunha por mero interesse próprio ou de terceiros?

 

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Não é uma coisa simples. Todos nós estamos sujeitos a ser enganados por informações não jornalísticas, especialmente se ela vier encapsulada em um bom formato. O cuidado é constante, mas não pode ser exagerado a ponto dessa própria desconfiança acabar alimentando teorias da conspiração e afins.


O jornalismo não morreu, como muitos dizem. Mas a forma como ele se desenvolve mudou muito, assim como mudou muito o público consumidor. O desafio continua sendo separar a notícia real e legítima da notícia mal-apurada, incompleta, falsa ou manipulada, um desafio que hoje é compartilhado pelo bom jornalista comprometido com a informação e o próprio consumidor dessas notícias.

 

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E o que as corridas de rua têm que ver com isso? Tudo, uai! Caro corredor, cara corredora, simplesmente dê uma olhada em seu whatsapp, instagram etc e conte quantos posts são de informações reais e quantos são de propagandas de produtos disfarçadas, venda de serviços, autovalorização dos próprios influencers etc.


Não digo que isso não deva ser consumido. Até porque este escriba mesmo que vos escreve, metido a aspirante de estagiário de jornalista, também faz essas coisas em suas próprias redes sociais. Só que precisamos apenas ficar atentos e discernir o que é notícia e o que é o resto. E não consumir esse resto como notícia.

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